Dois não fazem, o que um não quer.

Atualizado: 20 de Nov de 2020


«São precisos dois para fazer mas basta um para desfazer.»

«Dois não fazem, o que um não quer.»

«São precisos dois para dançar o tango».

Esta dualidade habita a nossa consciência colectiva e a nossa cultura.


Durante muito tempo eram expressões que me irritavam. Irritavam muito. E profundamente.


Olhar para a sua limitação, para a necessidade da anuência do outro, para a impossibilidade de levar algumas pessoas a colaborar, a alinhar… desesperava-me.




| Era a impotência a ribombar ao som de «dois não fazem, o que um não quer».


Até que um dia, ficou evidente o seu potencial, a esperança, a possibilidade, a liberdade… Quando, no meu processo de desenvolvimento pessoal e profissional, percebi que esta era a porta de saída do impasse, da manipulação e da guerra, tudo mudou. São precisas, pelo menos, duas pessoas para estabelecer um padrão de comportamento e comunicação, mas basta uma para o romper. E isso é espetacular!

Antes eu via nestas expressões a limitação e a impossibilidade: preciso da colaboração do outro para podermos construir o que é melhor para os nossos filhos.

Depois percebi a extensão e a possibilidade: é preciso a minha colaboração para manter a guerra, o diálogo destrutivo, a competição, a dualidade. E dois não fazem, o que um não quer. Eu não quero guerra, não haverá. Eu não quero diálogo destrutivo, não o terei.

«Só eu posso oferecer aquilo que tenho de melhor para os nossos filhos. E tu não me podes impedir.

Só tu podes oferecer aquilo que tens de melhor para os nossos filhos. E eu não te posso obrigar.»

Há quem comece guerras. Há quem comece discussões. Há quem comece zangas.

Por isso, é preciso decidirmos se queremos também ser protagonistas nesse filme e contracenar nessa cena. Ou se o deixamos entregue ao seu produtor.

Também é preciso percebermos quando estamos nós a ser criadores de um filme, que já não queremos ver.

Hoje trabalho com as famílias neste pressuposto: são precisas, pelo menos, duas pessoas para estabelecer um padrão de comportamento e comunicação, mas basta uma para o romper.

Impondo-se a pergunta:


|«Queres romper esse padrão?»

Curiosamente, as respostas são variadas… os resultados, também.


Quando recebo um SIM categórico, inequívoco e claro, a mudança já ocorreu. A partir dali é só reaprender (com tudo o que isso implica). É fazer caminho. O passo mais importante já foi dado, dentro da própria pessoa.

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