a nossa árvore não tinha estrela


durante alguns anos, a nossa árvore de natal não teve estrela. a guerra de poderes, de papéis, de histórias, desejos e medos, culminava no momento de colocar a estrela.


durante alguns anos a nossa árvore de natal não teve estrela. quando era posta alguém a tirava, punha outra... ou escondia as duas.


na nossa casa haviam duas estrelas, haviam duas árvores, haviam dois jogos de luzes e de enfeites.

a árvore foi mais fácil de resolver. a minha era mais pequena e faltava-lhe um pé, era difícil de equilibrar e não conseguia acolher os enfeites que cada um de nós trouxe da sua casa.

ficou a árvore dele, as luzes, as fitas e os enfeites de ambos...


mas a estrela era o culminar, era a identidade, a unidade...

e, durante alguns anos, a estrela foi também a luta, o símbolo de "não pertenço aqui" ou "tu não pertences aqui"... «esta é a nossa árvore de natal, não é a vossa».


foi assim, até ao ano em que "aquele que é de todos nós" teve capacidade e desenvolvimento neuromotor suficiente para colocar a estrela. nessa altura todos se reuniram à volta da árvore e celebrámos a estrela colocada pelas mãozinhas pequenas e fofas "daquele que pertence a todos nós", que a todos representa, aquele onde converge unanimemente o amor dos outros sete corações.


a nossa árvore passou a ter estrela.

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