A Ciência das Relações

Atualizado: 10 de mar.


«E se avanço para esta nova relação… as coisas podem correr mal.»

«Pois.»

«…e acabamos por nos separar…»

«Sim. Podem acabar por se separar.»


Hoje uma mãe que tenho acompanhado, perguntava-me, da minha experiência, como é que as relações tendiam a evoluir quando pessoas divorciadas começavam uma nova família?

Respondi pela minha experiência e com a minha casuística… e fiquei a pensar nisso.


Não gosto de generalizações e embora perceba a utilidade, relativa, das percentagens, sei que as relações humanas se pautam por leis que não se comprometem totalmente com a relação de causa-efeito, contêm variáveis difíceis de identificar, têm reagentes e catalisadores pouco prováveis... E se um ser humano é, em si mesmo, um sistema aberto pouco previsível, surpreendente e permanentemente em transformação, dois seres humanos são a conjugação perfeita para o mistério e para a possibilidade.


É tentador abordar as ciências humanas como ciências exactas. Também acho fundamental ser-se sério, analítico, lógico e dedutivo no estudo do desenvolvimento humano e das suas relações… e…

O desenvolvimento das ciências exactas, como a física, a química, a matemática… têm permitido progredir, técnica e instrumentalmente, na observação e no conhecimento do sistema humano (corpo, cérebro, neuroquímica, neurobiologia, bioquímica, biofísica…). A informação que tem sido recolhida, analisada e sistematizada é preciosa para compreendermos cada vez melhor quem somos enquanto seres vivos, seres humanos, espécie… e…

e é totalmente inútil para lidarmos com o mistério da vida, da transformação e do poder do amor.



Porque da neuroplasticidade do teu cérebro, da electroquímica do teu coração e da biofísica do teu corpo, tu és o especialista, a especialista.

Sabendo que a ciência está sempre em progresso, como é que te continuas a especializar em ti própria, em ti próprio? Como é que tens acompanhado e adaptado à tua própria evolução e transformação?


Sim, quando nos entregamos a uma relação, as coisas podem correr MAL… não porque a relação termina, mas porque pode ser um sítio onde não há espaço para a individuação, para o crescimento, não há oportunidade para cada um se conhecer a si próprio e ao outro no encontro dos dois, não é permitido ser quem és.


Sim, quando nos entregamos a uma relação, as coisas podem correr BEM… não porque a relação se mantem, mas porque pode ser um sítio onde HÁ espaço para a individuação e crescimento, HÁ oportunidade para cada um se conhecer a si próprio e ao outro no encontro dos dois, É permitido ser quem és…

…nestes casos, quer fiquem juntos, quer se separem, o que experienciaram em conjunto ficará em ti, como sucesso incondicional do mistério da vida, da transformação e do poder do amor.



Porque a separação é um recomeço, escolhe onde queres chegar. E faz da viagem um caminho de crescimento.

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