A Ciência das Relações


«E se avanço para esta nova relação… as coisas podem correr mal.»

«Pois.»

«…e acabamos por nos separar…»

«Sim. Podem acabar por se separar.»


Hoje uma mãe que tenho acompanhado, perguntava-me, da minha experiência, como é que as relações tendiam a evoluir quando pessoas divorciadas começavam uma nova família?

Respondi pela minha experiência e com a minha casuística… e fiquei a pensar nisso.


Não gosto de generalizações e embora perceba a utilidade, relativa, das percentagens, sei que as relações humanas se pautam por leis que não se comprometem totalmente com a relação de causa-efeito, contêm variáveis difíceis de identificar, têm reagentes e catalisadores pouco prováveis... E se um ser humano é, em si mesmo, um sistema aberto pouco previsível, surpreendente e permanentemente em transformação, dois seres humanos são a conjugação perfeita para o mistério e para a possibilidade.


É tentador abordar as ciências humanas como ciências exactas. Também acho fundamental ser-se sério, analítico, lógico e dedutivo no estudo do desenvolvimento humano e das suas relações… e…

O desenvolvimento das ciências exactas, como a física, a química, a matemática… têm permitido progredir, técnica e instrumentalmente, na observação e no conhecimento do sistema humano (corpo, cérebro, neuroquímica, neurobiologia, bioquímica, biofísica…). A informação que tem sido recolhida, analisada e sistematizada é preciosa para compreendermos cada vez melhor quem somos enquanto seres vivos, seres humanos, espécie… e…

e é totalmente inútil para lidarmos com o mistério da vida, da transformação e do poder do amor.



Porque da neuroplasticidade do teu cérebro, da electroquímica do teu coração e da biofísica do teu corpo, tu és o especialista, a especialista.

Sabendo que a ciência está sempre em progresso, como é que te continuas a especializar em ti própria, em ti próprio? Como é que tens acompanhado e adaptado à tua própria evolução e transformação?


Sim, quando nos entregamos a uma relação, as coisas podem correr MAL… não porque a relação termina, mas porque pode ser um sítio onde não há espaço para a individuação, para o crescimento, não há oportunidade para cada um se conhecer a si próprio e ao outro no encontro dos dois, não é permitido ser quem és.


Sim, quando nos entregamos a uma relação, as coisas podem correr BEM… não porque a relação se mantem, mas porque pode ser um sítio onde HÁ espaço para a individuação e crescimento, HÁ oportunidade para cada um se conhecer a si próprio e ao outro no encontro dos dois, É permitido ser quem és…

…nestes casos, quer fiquem juntos, quer se separem, o que experienciaram em conjunto ficará em ti, como sucesso incondicional do mistério da vida, da transformação e do poder do amor.



Porque a separação é um recomeço, escolhe onde queres chegar. E faz da viagem um caminho de crescimento.

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